Cafetina
Peguem-no!
Cortem-lhe a cabeça, destrocem-no!
ACABEM COM ELE!!!
Chega, basta!
Tantas exclamações, tantas reticências...
Quanto podemos suportar?
Quanta porrada podemos aguentar antes de cairmos, nocauteados?
E se desmaiarmos, antes de dar três tapas no tatame?
E se a dor for insuportável?
É triste acordar pensando em ser uma pessoa melhor
E falhar, em quase todos os dias. 

Cafetina
O que sobra, no fim de tudo?
O que nos resta, após esse vendaval que carregou (quase) tudo embora?
Em quem pode um merda humano de merda confiar nessa noite estrelada?
Quantas indagações nessa psicoviagem imaginária. (Fujo, sim. De mim, inclusive.)
Cale-se.
Delíros. Quem entenderá ao amanhecer essas palavras bêbedas?
Meus olhos, como sempre, me traem.
Foda-se.
A loucura está a espreita, quer me estraçalhar a carne.

Cafetina

Não adianta nada o título
De nada adianta a vontade,
Quase nada vale o meu querer,
Se não é recíproco.
Eu tenho defeitos,
Todos os tem,
E temo os meus;
Temo por mim e por nós,
Mas que faço se é unilateral
O "nosso" esforço de ser
E se meus delírios são em vão?
Nada vale.
Nada posso.
Nada tenho.
NADA.