Cafetina
Eu poderia divagar sobre o tempo; em especial sobre a chuva que está caindo lá fora, ou sobre o frio que me forçou a colocar uma meia ridícula.
Eu poderia divagar sobre o meu dia, que nada teve de especial. Acordei cedo, tomei muita chuva, almocei por 1,30, fiz as unhas, tomei um banho quentinho.
Eu poderia divagar, quem sabe, sobre a conta de luz que não foi paga, a comida do gato que murchou (devido a chuva, essa maldita), a viagem que queria fazer e não vou poder, o absinto meio cheio na geladeira (que não possui, de modo algum, a mesma conotação de um copo meio cheio).
Eu poderia, e talvez devesse, ter divagado sobre meu exercício de Geologia, ou sobre minha infinita paciência em situações em que um "VAI TOMAR NO CU" serviria perfeitamente.
Eu poderia, mas não vou. Não vou justamente porque essas meias não esquentam, meu gato já foi dormir e minhas drogas acabaram. Não vou dizer absolutamente nada sobre nada, pois muitas vezes o que ninguém diz é o que deve ser entendido, e dizer ás vezes não adianta.
Não vou, em absoluto, divagar sobre os rascunhos amassados, a louça suja na pia, a torneira pingando. As pantufas se encontram ali, na beira da cama, e não há nenhum texto sobre elas.